Nossa história
Sete Décadas de Luz em Porto Alegre
Há 70 anos, a Pequena Casa da Criança caminha ao lado da comunidade, construindo histórias de cuidado, oportunidades e transformação. Esta é uma trajetória feita de pessoas, vínculos e futuros possíveis.
Ao celebrar 70 anos de história, a Pequena Casa da Criança relembra uma trajetória construída a partir do compromisso com a vida, com o cuidado e com a comunidade Vila Maria da Conceição. Fundada em 1956, a instituição nasce do trabalho iniciado pela Irmã Nely Capuzzo.
O que começa com encontros comunitários realizados embaixo das árvores logo se transforma em um espaço coletivo de educação, desenvolvimento e proteção social. A Pequena Casa cresce junto do território, ampliando suas atividades nas áreas da educação, assistência social e profissionalização.
Ao longo de sete décadas, milhares de crianças, adolescentes, famílias e idosos passaram pela instituição, criando vínculos que atravessam gerações. Entre oficinas, mutirões, salas de aula, projetos sociais e ações comunitárias, a Pequena Casa consolida sua missão de transformar vidas e fortalecer a dignidade humana.
Hoje, a instituição segue olhando para o futuro sem perder de vista suas raízes. Os 70 anos da Pequena Casa representam não apenas a celebração de sua história, mas também a continuidade de uma missão construída coletivamente, marcada pela solidariedade e esperança.
Uma história construída ao longo do tempo
ANOS 1950
O ínicio de um sonho
O trabalho da Irmã Nely teve início na antiga Doca das Frutas. Quando as famílias foram transferidas para o Morro Maria da Conceição, ela seguiu junto, guiada pelo carisma de “ir em busca dos mais necessitados”.
O Carro Capela, projeto da Cúria Arquidiocesana, realizava missas na comunidade, que, a partir do trabalho da Irmã Nely, eram seguidas por momentos voltados à educação da população.
No formato de um singelo casebre de madeira, em 15 de agosto de 1956, a Pequena Casa da Criança foi inaugurada no alto do morro, com uma celebração presidida pelo arcebispo Dom Vicente Scherer.
A instituição implantou serviços de assistência social e apoio comunitário. Sem atendimento de saúde na região, também criou uma farmácia gratuita e atendimento médico a partir do voluntariado.
ANOS 1960 e 1970
Quando o cuidado ganha forma
A partir de uma solicitação das mães da comunidade, em 1960, a instituição inaugurou a escola, com o atendimento de 313 crianças, englobando o jardim de infância e o primário (atual ensino fundamental).
A estrutura da Pequena Casa foi ampliada devido ao crescimento das atividades. Além da escola, o espaço passou a abrigar oficinas e encontros comunitários voltados à convivência e organização local.
A marcenaria foi inaugurada como forma de ampliar as oportunidades de formação profissional. A instituição também oferecia cursos de embelezamento e mecânica para a comunidade.
A Colônia de Férias foi inaugurada em Tramandaí, criando um espaço de lazer para os atendidos. A iniciativa passou a proporcionar momentos de convivência e descanso fora do território.
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ANOS 1980
O território começa a se organizar
Com apoio da Pequena Casa, a comunidade realizou mutirões por melhorias básicas, como esgoto e água encanada. Seu Chico, um dos cofundadores da instituição, iniciou ações de moradia na época.
A comunidade sempre manteve forte devoção à Nossa Senhora da Conceição. A partir disso, Irmã Nely, junto aos moradores, construiu uma gruta em homenagem à santa.
Irmã Nely participou de reunião com o então prefeito de Porto Alegre sobre o Plano Habitacional. A articulação junto ao poder público em prol de políticas públicas passa a ser mais frequente.
A Casa Lar no bairro Belém Novo foi inaugurada como espaço de acolhimento para crianças e adolescentes, fortalecendo a rede de proteção e cuidado da instituição para com a cidade.
ANOS 1990
Oportunidades se ampliam
Desde os anos 1950, a instituição contava com atendimento médico voluntário, incluindo pediatria e clínica geral. Nos anos seguintes, também passou a oferecer atendimento odontológico.
A Escola de Artes e Ofícios foi implantada no bairro Petrópolis, com cursos profissionalizantes. O espaço também abrigava um centro de convivência para a comunidade.
O grupo de convivência de idosos, existente desde os anos 1970, se fortaleceu com mais encontros e atividades na instituição. Em 2004, a instituição se adequou ao Estatuto da Pessoa Idosa.
Desde os anos 1970, a instituição atua na inserção de jovens no mercado de trabalho. Um grande marco é o programa de estafetas, que era realizado em parceria com a Caixa Econômica Federal.
ANOS 2000
Continuidade e transformação
Organização do trabalho educativo para adolescentes de 14 a 17 anos, com foco no desenvolvimento e preparação para o trabalho. As atividades passaram a seguir as diretrizes da assistência social.
Irmã Nely faleceu em 14 de janeiro, após dedicar 46 anos à Pequena Casa da Criança. Sua trajetória foi fundamental para fortalecer e consolidar a Política de Assistência Social em Porto Alegre.
Irmã Pierina Lorenzoni assumiu a presidência da instituição, com a missão de fortalecer o compromisso da Pequena Casa com o cuidado, a educação e a garantia de direitos.
Organização do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças de 6 a 14 anos, priorizando o desenvolvimento dos atendidos e o fortalecimento de vínculos.
ANOS 2010
Novos caminhos e reconhecimento
Foi criada a Central de Doações, responsável pela captação e fidelização de apoiadores da instituição. A iniciativa fortalece até hoje a sustentabilidade das ações desenvolvidas.
Dez anos do Serviço Especializado em Abordagem Social, voltado ao atendimento e acompanhamento de pessoas em situação de rua e de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
No início dos anos 2000, a Pequena Casa iniciou a parceria com o Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul. Em 2016, passou a integrar o projeto Sábado Solidário, de arrecadação de alimentos.
Reconhecimento nacional com o Prêmio Melhores ONGs, concedido pela Certificadora Social. A instituição voltou a ser premiada em 2019, reafirmando a qualidade do trabalho realizado.
ANOS 2020
Seguimos em movimento
Durante a pandemia de Covid-19, a Pequena Casa manteve sua atuação junto à comunidade. Foram realizadas ações como entrega de mantimentos e outros atendimentos emergenciais.
Após quase 70 anos, a DEMHAB formaliza Termo de Permissão de Uso da área onde está localizada a sede da instituição, garantindo maior segurança e continuidade das atividades no território.
A Casa Santa Clara passou a integrar a instituição, ampliando seus espaços de atendimento. Atualmente, o local recebe o Grupo de Idosos e também acolhe atividades de apoio e convivência.
Realização anual de reformas e melhorias na estrutura da instituição. Em 2024, a ala da educação infantil foi revitalizada e a fachada recebeu pintura nas cores institucionais.
território
A comunidade cresceu junto com a Pequena Casa
Localizada na Vila Maria da Conceição, na Zona Leste de Porto Alegre, a Pequena Casa da Criança constrói sua trajetória diretamente ligada à história da comunidade. Desde os anos 1950, a instituição acompanha as transformações do território, marcado pela força coletiva, pelos desafios sociais e pela busca constante por dignidade e oportunidades.
A Pequena Casa também passou a integrar a história de Porto Alegre por meio de sua atuação comunitária e da relação construída com diferentes gerações da cidade.
Essa vínculo de cuidado, convivência e apoio mútuo transforma a Pequena Casa em parte da memória afetiva e da trajetória de milhares de famílias, tanto da Vila Maria da Conceição quanto da capital gaúcha.
MEMÓRIA
Pequena Casa
nas páginas
A Pequena Casa da Criança também teve sua história registrada nas páginas dos jornais de Porto Alegre. Entre reportagens, fotografias e manchetes, os registros revelam a atuação da instituição e os desafios enfrentados pela comunidade Vila Maria da Conceição ao longo dos anos.
Os recortes ajudam a reconstruir memórias da cidade, trazendo relatos sobre infância, desigualdade, solidariedade e transformação social. As páginas guardam fragmentos de uma história construída coletivamente.
Depoimentos
Vozes que fazem a Pequena Casa
Paulo Francisco
Coordenador de Espiritualidade
“Tem espaço aqui para serem abraçados aqueles que necessitam da instituição.”
Ayla Vitória
Educanda do SCFV
“Todas as pessoas que entram eu tento acolher muito bem, igual eu fui acolhida.”
Pedro Henrique
Educando do Trabalho do Educativo
“A Pequena Casa quer transformar nossas vidas.”
Sandra Guimarães
Voluntária de Reiki
“O que mais marca na Pequena Casa é o acolhimento que temos toda semana.”
Ryann Kaus
Jovem do Programa de Aprendizagem
“Aqui eu pude me expressar do jeito que eu sou e ainda assim aprender.”
João Flávio
Voluntário do Grupo de Idosos
“A Pequena Casa é uma gigante, com potencial para crescer ainda mais.”
construindo o futuro
Essa história continua
Ao celebrar 70 anos de trajetória, a Pequena Casa da Criança segue construindo caminhos de cuidado, desenvolvimento e transformação social junto à comunidade. Entre memórias, desafios e novas gerações, a instituição continua olhando para o futuro sem perder de vista as raízes que sustentam sua história.









